O pequeno barco motorizado desliza por águas verdes, cercado de coqueiros nas duas margens do rio. Navegamos em direção à praia, mas antes disso mas o barco faz uma parada para que eu desembarque por uma pequena escada de pedra. Um senhor vestido de branco me dá boas-vindas e explica que o mar que vemos logo à frente é o Mar Árabe, também conhecido como Mar de Omã. Do outro lado desse mar, em linha reta, fica a Somália.

Estou no Kerala, sul da Índia. Em Trivandrum, mais especificamente Poovar, extremo sul. Minha idéia era desembarcar sozinha e pegar um táxi para a guesthouse perto da estação de trem. Mas durante a escala em Dubai aproveitei para checar emails e lá estava a mudança de planos, na forma de uma mensagem da KeralaTourism informando que um motorista estaria a minha espera para me lavar para o hotel, um resort em Poovar.

O KeralaBlogExpress começa no dia 10 mas, ansiosa que sou, cheguei antes. Rutavi Metha e Kenney Jacob, do KeralaTourism, estavam esperando por mim no pequeno aeroporto de Thiruvananthapuram. Tinham até uma plaquinha com meu nome:Miss Parasselli e a menor mala de viagem do mundo.

A decisão de cuidarem de mim nesses quatro dias antes da tour começar é antes uma gentileza que uma obrigação, já que decidi vir antes por conta própria. Mas essa gentileza exemplifica o tratamento dos indianos para com os turistas. “Acostume-se a não carregar sua mala”, disse minha nova amiga quando tentei em vão levar minha própria mala pequena até a recepção, “o indiano é o povo mais hospitaleiro que tem”. Como que para provar o que Rutavi acabava de dizer, em trinta segundos um funcionário do hotel se materializou na minha frente trazendo um pano branco fresco para limpar mãos e rosto, mais um pequeno copo de refresco de cardamomo gelado, para beber.

O restante do dia foi uma sequência desse tipo agradável de clichê: o plácido rio de águas verdes na frente do hotel, a garçonete usando sári dourado, o curry amarelo do almoço, a enorme garrafa de cerveja Kingfisher, a cama super confortável onde tirei um cochilo de oito horas, as ondas quebrando ao longe enquanto eu escrevo sentada na varanda. Cansada demais depois do voo São Paulo – Thiruvananthapuram (com cinco horas de escala no chiquérrimo aeroporto de Dubai) a exploração mais ousada do dia acabou sendo a lojinha do hotel. Amanhã acordo para ver o que há do outro lado do rio. E conto aqui,Animados e gentis: Rutavi & Kenny, produção do KeralaTourism